Sentimento tolo correspondido
passa a ser vento, sopro derramado
torce sobre o corpo, esfria
treme.
seja vento-choro, carinho-dor,
corta mais rápido do que se anuncia,
chega e simplesmente passa
como esse corte, espero
seja a conversa.
Se ela não vier, que seja vento soprado.
Sendo feita, adeus medo
porque tudo passa mais rápido do que sente o coração.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Slip
Sufocado no fecho
o mais naturalista traço da menina bonita
respira pela malha frouxa.
Frouxa é a vontade de gritar
desse sufocado grito resignado
transposto em lágrima pela Natureza.
O bonde social chega brevemente: Alinhados!
o mais naturalista traço da menina bonita
respira pela malha frouxa.
Frouxa é a vontade de gritar
desse sufocado grito resignado
transposto em lágrima pela Natureza.
O bonde social chega brevemente: Alinhados!
No sofá
Conte-me três coisas suas que eu deva saber.
- Só tenho uma coisa a contar. Outras coisas dizem quase nada de mim.
Então não me conte nada. Se há apenas uma coisa a ser dita que você ainda não tenha dito, é sinal que você não quer dizê-la.
- Sim.
- Só tenho uma coisa a contar. Outras coisas dizem quase nada de mim.
Então não me conte nada. Se há apenas uma coisa a ser dita que você ainda não tenha dito, é sinal que você não quer dizê-la.
- Sim.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
A pobreza dentro de nós
entre dois ruídos alimentares,
nota-se um tom qualquer
bem desprezível.
Como o grito agudo que se anula em silêncio
- mas dissipa uma onda de gemido multilateral
é que entre as palavras não ditas sobressai o mais podre do ser humano
E quando você olha,
Já não vê mais, cessa a audição
todos os seres
humanos ou não
porcos são.
de um desnecessário que sequer merece poema
obtuário.
nota-se um tom qualquer
bem desprezível.
Como o grito agudo que se anula em silêncio
- mas dissipa uma onda de gemido multilateral
é que entre as palavras não ditas sobressai o mais podre do ser humano
E quando você olha,
Já não vê mais, cessa a audição
todos os seres
humanos ou não
porcos são.
de um desnecessário que sequer merece poema
obtuário.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Ser
Pequeno presságio de tormenta
vaga entre leite e vinagre
sobe pelo torso, encolhe pela boca
é o canto da sereia
é o som do celular mudo
a porta fechada que você viu abrir
é a dúvida, mas acima de tudo, é a inquietação
o nome disso, pobre humano
é culpa.
vaga entre leite e vinagre
sobe pelo torso, encolhe pela boca
é o canto da sereia
é o som do celular mudo
a porta fechada que você viu abrir
é a dúvida, mas acima de tudo, é a inquietação
o nome disso, pobre humano
é culpa.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Noite de São João
Hoje é noite de São João
Uma fogueira acessa, uma brasa
Tem música, tem um céu estrelado
E balões.
Hoje é noite de São João
Mas a noite está tão fria
Os olhos tão distantes
Que o coração gela.
Servem-me o leite, o bolo
E o gosto se parece, se soma e anula
Tento me aproximar da fogueira, do calor
Na noite de São João.
Na noite de São João as ruas estão mortas
As árvores ficam caladas, as calçadas
Todos tentam ouvir o que não é dito
E sentir o insensível: o calor
As estrelas representam anjos que nos vigiam
A fogueira, o amor que nos une; a comida, a fraternidade
E eu no meio disso tudo significo interrupção
O mundo caminha e pára na minha frente
Damos as mãos em volta da fogueira
Cantamos uma canção de infância, de algodão doce
Escutamos alguns rojões, bombas e crianças
E cachorros, eles odeiam as bombas.
Na roda as mãos dadas se esquentam
(seria tão difícil perceber os efeitos?)
de frente, alguns olhares se cruzam
e dizem que é a fogueira que aquece
tudo pode ser frio sem um pouco de fé
tudo pode ser distante sem uma música,
as crianças agora cantam, os adultos agora cantam
e os cachorros roubam a comida que deixamos de lado para dançar.
Hoje é dia de São João
E a noite estrelada brilha o que todos querem
E não buscam; e ainda tem luzes
E toda a cantoria que embala um sonho.
Hoje é noite de São João
O céu fica todo estrelado
fica todo iluminado,
Pintadinho de balão.
(DIF, 24/06/2006)
Uma fogueira acessa, uma brasa
Tem música, tem um céu estrelado
E balões.
Hoje é noite de São João
Mas a noite está tão fria
Os olhos tão distantes
Que o coração gela.
Servem-me o leite, o bolo
E o gosto se parece, se soma e anula
Tento me aproximar da fogueira, do calor
Na noite de São João.
Na noite de São João as ruas estão mortas
As árvores ficam caladas, as calçadas
Todos tentam ouvir o que não é dito
E sentir o insensível: o calor
As estrelas representam anjos que nos vigiam
A fogueira, o amor que nos une; a comida, a fraternidade
E eu no meio disso tudo significo interrupção
O mundo caminha e pára na minha frente
Damos as mãos em volta da fogueira
Cantamos uma canção de infância, de algodão doce
Escutamos alguns rojões, bombas e crianças
E cachorros, eles odeiam as bombas.
Na roda as mãos dadas se esquentam
(seria tão difícil perceber os efeitos?)
de frente, alguns olhares se cruzam
e dizem que é a fogueira que aquece
tudo pode ser frio sem um pouco de fé
tudo pode ser distante sem uma música,
as crianças agora cantam, os adultos agora cantam
e os cachorros roubam a comida que deixamos de lado para dançar.
Hoje é dia de São João
E a noite estrelada brilha o que todos querem
E não buscam; e ainda tem luzes
E toda a cantoria que embala um sonho.
Hoje é noite de São João
O céu fica todo estrelado
fica todo iluminado,
Pintadinho de balão.
(DIF, 24/06/2006)
A Nadadora
Peito,
Contra o peito, contra o prumo, contra o mar
Socorro a meu próprio punho, ele não está atado,
Suspiro e caio, mergulho.
Nas costas,
carrego tudo o que colhi e guardei,
Frutos dos posicionamentos, dos questionamentos, das escolhas,
As minhas costas estão largas, mas suportam
Suportam e soberanamente, exalo.
Braços, pernas, frases,
Tudo bate, tudo voa,
A borboleta não sabe, mas intensamente vive um dia.
E eu, vivo todos como se eles fossem os últimos.
A noite pode até cair, mas eu continuo. Batendo.
Revezando entre bem e mal, noite ou dia,
Só sei que minha própria lua orienta as minhas vontades,
Se tenho a lua, tenho personalidade
E o toque dela só me agrada, gentil carinho
Dela sai a direção dos meus passos não direcionados.
Mesmo no submundo, no subnível,
Acho por onde retirar o ar do meu grito, da minha denúncia
E mergulho e saio, continuamente
Para mostrar que sou humana,
Mas enfrento com o peito como um Deus.
Não tem lirismo tolo no meu braço. Não tem vitrine
A minha única vidraça fala da minha vida. Ou não.
Porque vidraças denunciam, mas a minha apenas existe.
Minha vida está em aberto, porém escrita com meu próprio idioma.
Selado, meu.
Participam do meu mundo os que sabem esticar os pés, bater os braços,
Revirar em meia volta e se adaptar a novos sentidos, novos estilos,
Às vezes os segundos 50 metros que caminho, nada dizem dos primeiros,
Porque deixo o meu passado para trás, lavado.
Como tudo e como todos, banho.
Porque na verdade, não sou pétala, não sou espinho.
Sou esponja.
Posso ser o aço, posso ser a lã, mas quando passar você vai saber.
Porque acima de tudo, lavo, lavo.
Nado contra a corrente, enfrento sim.
E deixo nessa água as marcas que não cabem no meu mundo.
Afinal, meu mundo logo vai. E a vida valeu a pena.
(DIF – 12/05/2005)
Contra o peito, contra o prumo, contra o mar
Socorro a meu próprio punho, ele não está atado,
Suspiro e caio, mergulho.
Nas costas,
carrego tudo o que colhi e guardei,
Frutos dos posicionamentos, dos questionamentos, das escolhas,
As minhas costas estão largas, mas suportam
Suportam e soberanamente, exalo.
Braços, pernas, frases,
Tudo bate, tudo voa,
A borboleta não sabe, mas intensamente vive um dia.
E eu, vivo todos como se eles fossem os últimos.
A noite pode até cair, mas eu continuo. Batendo.
Revezando entre bem e mal, noite ou dia,
Só sei que minha própria lua orienta as minhas vontades,
Se tenho a lua, tenho personalidade
E o toque dela só me agrada, gentil carinho
Dela sai a direção dos meus passos não direcionados.
Mesmo no submundo, no subnível,
Acho por onde retirar o ar do meu grito, da minha denúncia
E mergulho e saio, continuamente
Para mostrar que sou humana,
Mas enfrento com o peito como um Deus.
Não tem lirismo tolo no meu braço. Não tem vitrine
A minha única vidraça fala da minha vida. Ou não.
Porque vidraças denunciam, mas a minha apenas existe.
Minha vida está em aberto, porém escrita com meu próprio idioma.
Selado, meu.
Participam do meu mundo os que sabem esticar os pés, bater os braços,
Revirar em meia volta e se adaptar a novos sentidos, novos estilos,
Às vezes os segundos 50 metros que caminho, nada dizem dos primeiros,
Porque deixo o meu passado para trás, lavado.
Como tudo e como todos, banho.
Porque na verdade, não sou pétala, não sou espinho.
Sou esponja.
Posso ser o aço, posso ser a lã, mas quando passar você vai saber.
Porque acima de tudo, lavo, lavo.
Nado contra a corrente, enfrento sim.
E deixo nessa água as marcas que não cabem no meu mundo.
Afinal, meu mundo logo vai. E a vida valeu a pena.
(DIF – 12/05/2005)
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